quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Brasileiros e Brasilianos



Por 500 anos mentiram para nós. Esconderam um dado muito importante sobre o Brasil. Disseram-nos que éramos brasileiros. Que éramos cidadãos brasileiros, que deveríamos ajudar os outros, pagando impostos sem reclamar nem esperar muito em troca. Esconderam todo esse tempo o fato de que o termo brasileiro não é sinônimo de cidadania, e sim o nome de uma profissão. Brasileiro rima com padeiro, pedreiro, ferreiro. Brasileiro era a profissão daqueles portugueses que viajavam para o Brasil, ficavam alguns meses e voltavam com ouro, prata e pau-brasil, tiravam tudo o que podiam, sem nada deixar em troca.

Brasileiros não vêem o Brasil como uma nação, mas uma terra a ser explorada, o mais rápido possível. Investir no país é considerado uma burrice; constituir uma família e mantê-la saudável, um atraso de vida. São esses brasileiros que viraram os bandidos e salafrários de hoje, que sonham com uma boquinha pública ou privada, que só querem tirar vantagem em tudo. Só que você, caro leitor, é um brasiliano. Brasiliano rima com italiano, indiano, australiano. Brasiliano não é profissão, mas uma declaração de cidadania.

Rima com americano, puritano, aqueles abnegados que cruzaram o Atlântico para criar um mundo melhor, uma família, uma nova nação. Que vieram plantar e tentar colher os frutos de seu trabalho, sempre dando algo em troca pelo que receberam dos outros. Gente que veio para ficar, criar uma comunidade, um lar. Que investiu em escolas e educação para os filhos e produziu para consumo interno. Foram os brasilianos que fizeram esta nação, em que se incluem índios, negros e milhões de imigrantes italianos, espanhóis, japoneses, portugueses, poloneses e alemães que criaram raízes neste país.

Brasilianos investem na Bolsa de Valores de São Paulo. Brasileiros investem em offshores nas Ilhas Cayman ou vivem seis meses por ano na Inglaterra para não pagar impostos no Brasil. Brasileiros adoram o livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi, enquanto os brasilianos não encontram livro algum com o título O Trabalho Produtivo, algo preocupante. Como dizia o ministro Delfim Netto, o sonho de todo brasileiro é mamar nas tetas de alguém. Quem está destruindo lentamente este país são os brasileiros, algo que você, leitor, havia muito tempo já desconfiava. Infelizmente, o IBGE não pesquisa a atual proporção entre brasileiros e brasilianos neste país. São as duas classes verdadeiramente importantes para entender o Brasil. Mais importante seria saber qual delas está aumentando e qual está diminuindo rapidamente, uma informação anual e estratégica para prevermos o futuro crescimento do país.

Não vou fazer estimativa, deixarei o leitor fazê-la com base nas próprias observações, para sabermos se haverá crescimento ou somente a continuação do "conflito distributivo" deste país. O eterno conflito entre aqueles que se preocupam com a geração de empregos e aqueles que só pensam na distribuição da renda.

Os brasilianos desta terra não têm uma Constituição, que ainda é negada a uma parte importante da população. Uma Constituição feita pelos verdadeiros cidadãos, que estimule o trabalho, o investimento, a família, a responsabilidade social, a geração de renda, e não somente sua distribuição. Uma Constituição de obrigações, como a de construir um futuro, e não somente de direitos, de quem quer apenas garantir o seu.

Precisamos escrever e reescrever nossos livros de história. Em vez de retratarmos o que os brasileiros (não) fizeram, precisamos retratar os belos exemplos e contribuições do povo brasiliano para esta terra. Um livro sobre a História Brasiliana, da qual teríamos muito que nos orgulhar. Vamos começar 2008 tentando ser mais brasilianos e menos brasileiros.

São 500 anos de cultura brasileira que precisamos mudar, a começar pela nossa própria identidade, pelo nosso próprio nome, pela nossa própria definição.

[Stephen Kanitz - http://www.kanitz.com.br/]

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Menta com flocos


Indecisão é como quando eu vou em uma sorveteria
Eu sempre penso que seria bom provar um novo sabor
Aí eu lembro do que eu realmente gosto
E sempre acabo escolhendo menta com flocos.

[Otávio Ventura]

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Paixão



Figurando-te com carinho e procurando descrever-te
diga-se de passagem, em meros versos, pensei em ti:

Como se você fosse uma constelação...
aquele monte de estrelas brilhantes formando teu corpo
contornos fruto da minha imaginação, que junto à criatividade te transforma numa deusa maravilhosa
mas que não iluminam pontos no céu por tempo suficiente, já que logo vem o amanhecer para ofuscar meus olhos
roubando tua luz, restando apenas azul que cobre a manhã.

Como se você fosse uma flor...
esbelta que atrai a todos que passam ao seu redor, distraídos,
aquela volumosa, pronta para ser pintada em quadros, e cheirosa, pronta para colher de ti uma nova fragrância
mas que com o tempo, a flor, vítima de condições externas, murcharia e cairia ao chão, perdendo tal enfeite
deixando saudade de seu cheiro e tua forma.

Como se você fosse um sonho...
sendo quase tudo possível e imprevisível, fora do normal,
um conjunto de fatos extravagantes que me atordoam e acabam produzindo euforia e sede de respostas
mas só me daria conta dele, o sonho, depois que eu acordasse, que ele acabasse, como uma noite vaga
restando aquela vontade louca de sonhar contigo novamente.

E finalmente te englobo em um pedaço de adoração:
como se você fosse a paixão...
por que as estrelas um dia deixaram de iluminar meus olhos
sumindo na imensidão do espaço, apagando-se na escuridão,
por que as flores brotam a procura do auge - a beleza passageira
que logo é vítima do tempo, o final de uma estação,
por que sonho não segue a realidade, podendo se tornar pesadelo
transformando-se em treva e sombra, alvo de repulsão.

já a paixão, além de não ser suportada por sentimentos,
ela é fruto do que você é, do que eu quero que você seja
ela, seguido das estrelas, prende minha visão sobre você
ela, assim como as flores, fantasia meu sentidos selvagens
ela, como se fosse um sonho, estimula minha imprevisibilidade
por que no fundo, lááá no fundo, eu te quero como a imagem que criei de você
desenho-te no céu como algo a ser conquistado
agarro-te sem pensar no tempo ou nas consequências dele
e, acima de tudo, mesmo que a deseje por uma noite intensa
quero que, quando acordarmos, tenhamos certeza de que tudo
absolutamente tudo,
realmente
aconteceu.

[Lucas Forattini]

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Liberdade



Grades invisíveis
já não me prendem mais

Sou livre pra sonhar
Sou livre pra viver
Sou livre pra sorrir

Caríssima liberdade
quem já sentiu teu sabor
nunca há de te deixar!

[Otávio Ventura]

sábado, 13 de junho de 2009

Amigos



São verdes, amarelos e azuis
São agudos e graves
São clássicos e contemporâneos
São brilhantes e sorridentes
São sumidos ou constantes
São presentes ou ausentes
Mas mesmo ausentes são presentes
São unidos mas diferentes
São atentos mas distraídos
São flauta, piano e violão
São meus amigos, amigos do meu coração!
[Otávio Ventura]

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sapato Velho


"Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés..."

[Sapato Velho - Roupa Nova]

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Minuto

(Valsa do Minuto - Chopin)

Para onde vai o pensamento em um minuto?
Viaja para perto de quem eu mais gostar
Voa longe para onde eu não recusaria morar
Para dentro de onde eu um dia vou ficar
E volta para mais um minuto pensar.

[Otávio Ventura]